ele existe.

Eu estava com um nó na garganta, encarando a estrada, os faróis fortes nos meus olhos, o vento zunindo nos meus ouvidos, e lágrimas queriam borrar a maquiagem. Foi o pior momento da minha vida. Sentia-me como se ninguém no mundo tivesse passado por algo pior. Egocêntrico? Eu sei, porém, estou descrendo o que eu sentia, não necessariamente o correto a se sentir.

Ver alguém que você normalmente encara como uma fortaleza sofrendo, é muito difícil. Os olhos dele estavam brilhando, não de esperança, não de felicidade, e sim de dor. A decepção era clara no tom da sua voz, enquanto tentava contar-me a história. Tentando entender o por quê de tal coisa ter acontecido com ele, a pressão era alta. Eu não imaginava que ele se importava tanto, para ser sincera, achei que ele iria apenas ignorar, ou pelo menos, não demonstrar que se importava.

Eu não sabia o que falar. Sempre sei o que falar, nada me deixa sem palavras, entretanto, naquele momento, eu só soube olhar pela janela. O caminho até em casa nunca fora tão distante. Eu me senti uma alcoólatra, desejava estar em qualquer festa sentindo o efeito do álcool em mim. Eu me senti uma suicida, na verdade, passei a entender-los, é bem convidativo pensar que todos seus problemas podem desaparecer de uma hora para a outra. Uma lágrima escorreu do meu olho direito, eu não podia enxuga-la, ele iria perceber, perceber minha fraqueza. A última coisa que eu podia fazer ali, era ser fraca. Ele precisava de mim. Deixei que o vento enxugasse.

Voltei a encarar a janela, não estava mais na estrada. Era uma praça. Crianças corriam, garotos de bicicletas, músicas ruins bem altas, risadas e conversas paralelas. Tudo tão inocente, e aparentemente sem problemas. Desejava ser qualquer um dali. Depois de um tempo, senti uma dor nos meus dedos, então percebi que eu pressionava as unhas contra meu braço, tão forte que podia sentir-los latejando. Dói muito ver alguém que você ama, tão magoado, tão destruído.

Tentei mudar de assunto, falei sobre o que mais gosto, mas tudo parecia tão fútil naquele momento. Eu estava presenciando algo verdadeiro, sentimentos verdadeiros, logo, tudo o que eu falasse se tornaria fútil. Foi assim que cheguei em casa, com uma voz fútil, falando sobre coisas fúteis. Nunca vou esquecer essa vinda até em casa, nunca vou esquecer esse momento. Pois foi o exato momento em que descobrir que: o Amor existe, e ele é a pior coisa do mundo.

-Giovanna Faria

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