Quem eu sou?

Asian monk lighting incense in temple

Recentemente, perguntaram-me “Quem você é? ”. Quando ouvi, pensei que essa era a pergunta mais idiota do mundo, como assim quem eu sou? Eu sou eu, não? Não tem muito o que pensar, já que sou eu mesma desde que nasci. Então, parei alguns dias para refletir sobre isso. Essa é a pergunta que respondia desde a velha época do Orkut. A mesma que perguntam em entrevistas de emprego, talvez por isso ninguém tenha me contratado ainda. Eu não eu quem eu sou.

No fundo, eu não conheço os meus próprios detalhes e auras. Eu, em constante mudança, não consigo nem decidir qual minha cor preferida. Não sei a diferença da minha risada entre uma piada boa e uma ruim. Não sei o tom da minha pele quando o sol da manhã reflete no meu rosto. Não sei o cheiro que o xampu deixa no meu cabelo, como também não sei o modo que ando dentro de uma sala de aula.

Eu não sei ao certo o que quero fazer na minha vida. Se quero escrever, atuar, cantar, dançar, correr ou até pular de um precipício. Não sei para o que fui designada a fazer nessa vida. Ou se na minha última reencarnação eu tenha apenas escolhido não fazer nada nessa de agora. Talvez tenha tirado essa vida de folga, ou talvez eu tenha um milhão de coisas para fazer e ainda não descobri o que são.

Nunca gostei de me limitar a pequenas coisas e rótulos. Não gosto de dar nomes a nenhuma ação na minha vida. São apenas ações. O mundo é tão grande para eu querer ter certeza de algo. Sempre me deixei livre para pensar o que quisesse, e se por acaso, amanhã passasse a pensar o oposto, tudo bem. Uma das frases que sempre achei incríveis na filosofia é o famoso “Só sei que nada sei” de Sócrates. Pois, eu realmente não sei de nada.

Não sei quem eu sou, posso afirmar isso. Não sei se amanhã vou acordar querer mudar de faculdade. Ou passar apenas a assistir filmes em preto e branco, ou deixar de ser vegetariana. Porque eu não tinha certeza quando tinha 15 anos, também não tenho certeza agora e sei que não vou ter aos 25 anos. Acho que essa é a graça da vida, ter prazer na incerteza. Esperar o inesperado a cada dia. Impedir que tudo caia numa mesma rotina que mais de 2 bilhões de pessoas acompanham.

Quem sabe um dia eu descubra quem eu sou numa meditação profunda em algum templo na Índia. Ou alguém me conte quem eu sou sentada num bar de esquina com cerveja barata. Ou eu receba uma carta anônima em outro idioma desconhecido pelo google tradutor e leve 5 anos para desvendar o tal mistério. Até lá, eu não quero ter certeza de nada. Porque é essa incerteza que move o mundo.

-gioh

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