Ou…

Eu sou indecisa. Ou era. Tudo que precisava de uma decisão minha, de imediata ou demorada, era sempre um grande sofrimento. Ou é. Desde coisas bobas à decisões que podem mudar minha vida pra sempre. Como que alguém teve a coragem de me perguntar aos 15 anos o que eu queria fazer pro resto da vida??? E se eu escolher medicina, e depois perceber que queria ser artista de circo? Se eu escolher direito e ficar entendiada nos tribunais? Acabei escolhendo jornalismo, até porque eu poderia trabalhar escrevendo, ou sendo repórter, ou sendo assessora de imprensa, ou passando fome.

Ir para uma praça de alimentação é o terror da minha vida. Alguém já percebeu que é apenas muita coisa pra cabeça e estômago de uma pessoa só? E quando você decide o restaurante, eles te dão um cardápio: COM MAIS MIL OPÇÕES POSSÍVEIS. Eu queria muito ser aquela pessoa que pensa “Ah, eu gosto disso, foi pedir isso sempre”, apenas não consigo, começo a enjoar, a pensar em outras possibilidades e nesse momento, já parei de falar de comida e passei para relacionamentos amorosos e amigáveis.

E se eu começar a namorar e não quiser mais no dia seguinte? Não vai mais afetar só a mim, como quando peço sorvete de chocolate e depois penso que queria de limão, vou estar mudando o percurso de outra pessoa. Eu ainda tomo decisões com “Salamê Minguê”, não me deem mais responsabilidades agora.

Eu tenho três opções de caminhos para a faculdade quando desço do ônibus, desde o momento em que entro no veículo, já vou pensando em qual dos caminhos vou pegar naquele dia. Eu entro numa crise sobre não saber qual vai ser melhor e mais rápido, então quando desço, vejo um possível aluno e sigo ele, assim ele decide qual caminho é melhor por mim.

Quando vou escutar uma música, apenas coloco no aleatório, porque nunca sei ao certo qual música eu quero escutar. Talvez meu celular me conheça melhor. Não consigo postar uma foto sem antes perguntar para as pessoas, e se elas ficam dividas, simplesmente piro e não posto nenhuma. Nunca me peça para escolher um filme na netflix, pois vamos apenas ficar olhando todas as opções e encher “minha lista” com mais 15 filmes.

Eu fiquei pensando num final que fosse surpreendente, que mandasse alguma mensagem, ou que fosse engraçado, ou que fosse triste, ou que deixasse você refletindo por mais uma semana. Porém, hoje estou num dos meus dias de crise e não posso decidir, imaginem um final que vocês gostariam, aposto que ele é bom. Ou não.

GIOH

O Karma de Joana

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Descendo a rua da faculdade, estava Joana. Fazia artes na faculdade, sempre foi apaixonada pelo passado, o que conseguiam fazer com pouca informação e recursos a impressionava, mesmo que escutasse a história 20 vezes seguidas. As esculturas de Michelangelo tiravam seu fôlego, poderia pássaro o dia inteiro só observando os detalhes esculpidos na mármore. Desejava ter nascido naquela época, mas fica feliz por ter nascido na mesma época que Marcelo.

Eles não tinham nada a ver, mas eram amigos. Secretamente, Marcelo era apaixonado por Joana, mesmo sabendo que não iria acontecer. Ele poderia passar 3 fins de semana, observando o céu e falando sobre Joana. Cada detalhe, cada sorriso e cada sonho. Tudo sobre ela o fascinava, do mesmo jeito que Michelangelo a fascinava. Quando ela começava a falar sobre as esculturas, ele observava os seus detalhes e pensava em quanto tempo Deus deve ter gastado para esculpir o nariz perfeito dela.

Joana estava indo em direção ao bar que ficava no fim da rua, não era nenhum bar legal, a cerveja só era barata. Marcelo estava do outro lado da rua, pensou em esperar um pouco, apenas para observá-la distraída, uma das melhores horas. O cabelo sempre bagunçado, ela se recusava a pentear de manhã cedo, estava sem sutiã, provavelmente com a primeira camisa que viu e uma calça jeans. Brincava com os dedos pelas gotas que a bebida gelada tinha feito no copo por alguma reação química que não conseguiu decorar nas aulas do ensino médio.

Era engraçado que o mundo a achava incrível, era quase impossível alguém passar por ali sem olhar duas vezes. Ela não se acostumava com isso, sempre pergunta se tem algo sujo no seu rosto ou na roupa. As pessoas só não estão acostumadas a verem a pureza de sua beleza. Talvez seja por isso que ela não se apaixone, sempre teve todos apaixonados por ela. Ou melhor, pelo seu rosto, seu corpo, seu cabelo, suas roupas.

Joana já havia quebrado três mil e duzentos corações ao longo de seus 22 anos. No começo sentia-se culpada, por não corresponder ao “amor” que lhe davam. Até que percebeu que não era amor, isso nem existia, sempre foi pelo seu rosto, nunca pelas suas piadas ruins, ou poemas que não rimam, ou pelo seu filme preferido, ou pelo seu amor por sorvete, ou por qualquer coisa que não envolvesse sua aparência.

Alguns nem sabiam qual era seu pintor favorito, outros fingiam que gostavam e até armavam possíveis conversas para terem alguma chance. Isso foi esgotando. Marcelo entendia isso, acompanhou tudo isso de perto, queria poder gritar e dizer que enxergava além de tudo, mas no fim, ele sabia que era só pela beleza também, o resto foi só complemento.

Joana o avistou do outro lado da rua, sorriu e o chamou para beber junto. Ela estava tão feliz, falava sobre estilo românico e época medieval, ou era sobre pudim de leite? Marcelo já tinha parado de escutar, tinha se perdido no sorriso, nos ombros, no jeito em que ela mexia a mão, na mecha de cabelo que voava toda vez que passava um carro. Depois pensava que ela sempre iria passar por isso, talvez a beleza não fosse uma qualidade, e sim um carma que ela precisa carregar. Ninguém a escuta, ninguém sabe o que ela pensa, ninguém sabe o que ela quer ouvir ou sentir, apenas sabem a última foto que ela postou no instagram.

Expectativas para 2025

Pinterest: ♛ ѕaraн ♛                                                                                                                                                      Mais:

Início de janeiro, aquele calor infernal, que todos fingem amar durante o final das férias, só para ir todo dia à praia antes de voltar ao trabalho. Vim andando para casa com algumas amigas depois de um dia na praia, riamos de qualquer piada ruim que uma de nós tinha contado, a areia estava em lugares indesejáveis, mas seguíamos andando. Éramos jovens, porém, estávamos nos sentindo adultas. Fazia três anos que a escola tinha acabado, cada dia que passava o peso de continuar sem emprego era maior.

Como sempre, começamos a falar do passado, dos dias na escola, dos almoços para o simulado, das piadinhas dos professores, dos amores de 2 semanas da sala de aula, o quanto éramos idiotas, não que tenha mudado muito. Comecei a pensar como que eu me imaginava três anos depois, completamente diferente de como estou.

Achava que já estaria no emprego dos meus sonhos, ou pelo menos encaminhando para ele. Estaria pelo menos no backstage de algum programa de tv ou rádio, quando na verdade, estou trabalhando de recepcionista durante um tempo para conseguir algum dinheiro. Ainda não consegui nem tirar minha carteira de motorista, meus pais ainda me tratam como se eu tivesse 12 anos e não fiz nem 10% do que tanto queria.

Minhas amigas estão pelo mesmo caminho, algumas largaram a faculdade e descobriram que seu sonho era tocar violão no bar ruim da esquina, ou pintar quadros, ou fazer qualquer outra faculdade que não tinha nada a ver com a de início. Outras estão completamente perdidas, não sabem o que gostam de fazer, ou no que são boas.

Esse é o mistério da vida. Você nunca vai saber o que vai acontecer. Seu sonho de hoje, pode ser o pesadelo de amanhã. Suas vontades antigas podem parecer tão bobas no futuro. A realidade é que todo mundo está um pouco perdido. Mesmo o seu amigo que o pai é empresário, já ganhou um carro e está com emprego garantido para o resto da vida, pode ter certeza que ele também tem suas inseguranças quando vai dormir.

Então, minhas amigas perguntaram a clássica pergunta de início de ano: “Quais são suas expectativas para esse ano? ”. Honestamente, não faço a menor ideia. Isso não me incomoda nem um pouco. Não sei se vou continuar amando o jornalismo, ou se vou querer virar professora. Tão pouco sei se vou conseguir um emprego, ou se vou ter que continuar sendo recepcionista por um tempo. Somos tão novos para termos tanto peso em cima da nossa cabeça. Então, eu não faço a menor ideia de quais são as minhas expectativas para 2017, ou 2018, ou 2025 e estou ótima com isso.

Gioh

A lista

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É tão complicado como estamos sempre acordando e trabalhando, mas esquecendo de viver. Tanto peso que carregamos, tantas vezes que ficamos chateados do nada, sem motivo algum. Apenas no meio da caminhada bate uma tristeza e um vazio tão profundo que até o verde da árvore some.

A verdade é que estamos esgotados. Esgotados de tanta brutalidade no mundo, de ligarmos a tv e só assistirmos notícias ruins, amigos morrendo, parentes ficando doentes, crianças passando fome, mulheres sendo estupradas, homens sendo assassinados, famílias sendo destruídas. Tudo isso tornou-se parte do dia a dia, tornou-se comum. Isso esgota. Suga toda a esperança que ainda guardávamos no nosso baú de criança.

Tente reparar, está tão difícil encontrar alguém puramente feliz. As crueldades do mundo estão acabando conosco. Quando paro por alguns minutos para tomar um chá e refletir, sempre vem mil notícias ruins na minha cabeça, arrancando qualquer porcentagem de alegria que ousasse em se expor. O mundo está cruel demais para pessoas positivas.

Durante alguma viagem aleatória de ônibus (melhor lugar para se refletir sobre qualquer coisa) comecei a pensar em diversas atrocidades que ouvi antes das 10 da manhã. Eu fiquei arrasada antes mesmo de chegar em casa, foi quando comecei a me obrigar a pensar em coisas boas, não importava o quão bobas elas eram. Comecei a listar.

  • Meu cabelo cheirava tão bem, tinha acabado de mudar de shampoo.
  • A menina da recepção me deu um Bom dia tão sincero e com um grande sorriso.
  • Minha priminha ganhou medalhas na competição de natação que ela fez.
  • Minha outra prima tão novinha decidiu cortar o cabelo e doá-lo.
  • Estou me alimentando 100% melhor do que 3 semanas atrás (só comia congelados)
  • Revi vários amigos que não via há muito tempo, ri tanto que minha costela ainda dói.
  • Conversei com alguém tão amorzinho que me disse coisas encorajadoras que pretendo guardar pro resto da vida.
  • Visitei minha avó e assistimos “Vídeo Cassetadas” juntas.
  • Comi sorvete com brownie
  • Aprendi a fazer brownie no micro-ondas
  • Escutei uma música com uma energia tão boa, que no final estava sorrindo.
  • Estou aprendendo a tocar ukulele
  • Me elogiaram e não teve nada a ver com aparência
  • Alguém disse que fui influenciadora na visão que tinha sobre a luta contra o machismo, homofobia e racismo
  • Descobri meu novo sabor de chá preferido
  • Conversei com pessoas novas na faculdade
  • Lembrei de comprar o chocolate que meu irmão gosta
  • Minha mãe conseguiu algo que estava tentando há meses
  • Meu novo quarto tem vista linda para montanhas
  • Achei uma ilustração fofinha e quis colocar como imagem desse texto

A lista continua crescendo, todos os dias tento escrever o máximo de coisas boas. Tentem se rodear de energias boas, esqueçam de fofocas e qualquer outra coisa ruim. Tirem um tempinho do seu dia apenas para focar em você, no seu estado mental e em bondade. Façam sua lista! Nada que você colocar nela será bobo ou não válido, apenas pensem no que te fez feliz.

Gioh

 

Pode ficar calmo.

Ele não tem diploma da melhor faculdade, não tem o emprego mais desejado do mundo, não vai deixar uma herança que me fará brigar com meu irmão na justiça, é estressado, o tom normal de voz parece que está gritando puto da vida, não tem muita paciência. Odeia todas as músicas que escuto, ainda mais quando invento de cantar, já disse que eu nunca serviria para dançar (não protestei) e se irrita toda vez em que eu tropeço na rua, ou perco a atenção de alguma conversa e peço para ele me explicar de novo.

Mas amigo, você não faz ideia de tudo que ele já me ensinou. Mesmo estressado pelo trabalho e problemas da rua, sempre riu das minhas piadas idiotas. Aprendi a assistir o canal do boi e de pescaria, porque “é a única coisa boa na tv”, graças a isso, eu sei quais rios são os melhores para pegar um Tambaqui ou um Tucunaré. Aliás, ele me levou para pescar, mas disse que eu não iria mais, porque eu falo demais e minha agitação afastou os peixes, por isso ele voltou para casa com um único peixinho e eu que peguei… Nesse dia, ele me ensinou a pescar, e também, com um olhar distante e dramático, que na vida você quase nunca volta com o esperado pra casa, mas o importante é persistir em algo que gosta. Descobri que ele gosta bastante de peixe.

Como disse, meu pai não fez faculdade, ele teve que trabalhar muito cedo. Não pela família ser pobre, eles até tinham uma condição tranquila, mas por “tradição”. A família é portuguesa, tinham uma padaria, ele precisava acordar antes das 5 da manhã pra poder preparar tudo e ajudar o pai o dia inteiro. Eu simplesmente amo ouvir as histórias! Ele chegava de festas (ELE DIZ DISCOTECA, GENTE!!!!) dormia 20 minutos e já acordava para o trabalho, pois era um compromisso, não podia deixar de fazer. Ele me fala isso toda vez que quero faltar aula.

Ele não me ensinou só essas lições de morais não. Ensinou-me a atirar com uma espingarda de chumbinho (Aliás, em caso de apocalipse zumbi, juntem-se a mim, minha mira é extraordinária), a pintar uma casa inteira, a montar e desmontar qualquer armário, a trocar lâmpada, a trocar chuveiro, a consertar qualquer coisa sem precisar pagar alguém para fazer. Tentou me ensinar a cozinhar, mas depois de comer umas 3 vezes arroz sem sal e ter queimado ovos cozidos, ele me fez desistir. Também me trouxe paixão por esportes, filmes de ação e Star Wars (obrigada!).

Recentemente, tive que passar um mês sem ele. Foi tudo tão estranho, como se o mundo não estivesse girando direito. Sentia falta de tudo. A casa estava tão silenciosa sem ele gritando sobre qualquer coisa. A pessoa que tinha me ensinado tanto, rido tanto, que fazia trilhas loucas comigo no domingo de manhã estava vulnerável, com medo de ir embora, medo de ficar sozinho.

Na primeira visita que fui fazer quando ele estava internado, confundi o horário que o hospital permitia, cheguei uma hora atrasada. Quando entrei sorrindo e fazendo palhaçada, ele estava chorando. Meu coração nunca doeu tanto. O homem forte, que sempre estava rindo, apesar de todos acharem que ele tem cara de mau, estava chorando. Ele achou que não iríamos na visita, naquele momento, eu só queria tirá-lo de lá, só queria que ele ficasse bom logo. Demorou algumas semanas, ele voltou para casa, foi o dia mais feliz da minha vida quando pude tirar ele de lá.

Esses dias perguntei o motivo dele não me ensinar a dirigir, em tom de piada, disse que era para eu não sumir de casa. Percebi que era um fundo de verdade, vivo dizendo que sonho em sair pelo mundo, ele ainda não percebeu que eu só tenho 3 reais no bolso. Pode ficar calmo, pai.

o que é feminismo?

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A maioria das pessoas não sabem o que é feminismo. Um movimento social imenso e muitas pessoas ainda não sabem o que é, ou pelo menos, não entendem certamente. Já conversei com diversas pessoas sobre isso e o que mais escuto é “Ah, eu não sou feminista não, só acho que as mulheres deveriam ter os mesmos direitos que os homens”, então, uma novidade para você: isso é feminismo.

As mulheres têm medo de se denominarem feministas. É o medo da palavra, ou melhor dizendo, é o medo sobre o que os outros vão achar sobre essa palavra. Existem alguns tipos de opiniões que as mulheres possuem sobre isso. Primeiro, acham que o feminismo é só o radical, apenas aquelas que esfregam absorvente em banheiro, sem nem pensar que quem vai limpar é uma mulher mais pobre, o famoso falso feminismo. Segundo, não entendem o movimento, acham que é a versão feminina do machismo, um gênero sobre o outro, quando na verdade, feminismo é sobre igualdade. Terceiro, até entendem, mas não querem ser mal vistas pelos homens, esse para mim é o pior.

Quero desmentir alguns fatos que escuto e leio bastante. O feminismo não te obriga a deixar de se depilar, ou usar maquiagem, ou ser vaidosa, ele só luta para que mulheres tenham o direito de querer ou não ser assim, sem julgamentos. NÃO, O FEMINISMO NÃO ODEIA HOMENS! Parem com isso de que toda feminista odeia homens, somos contra o machismo, a acharem que o sexo masculino é superior. O movimento luta pela questão de escolha e direitos iguais.

Você pode ser uma dona de casa, que não trabalha, tem filhos, faz a janta do seu marido e ainda assim ser feminista, desde que isso seja uma escolha sua, que não esteja fazendo isso porque acha que é sua obrigação. Como você pode trabalhar fora, não ter filhos e nem marido, ser totalmente independente, são questões de escolha. Eu quero ter a escolha de ficar ou sair de casa, sem julgamentos, sem ódio, sem fazer nada por obrigação.

Todos precisam entender que o feminismo não quer forçar ninguém a nada, ele só quer dar o direito da escolha. Dentro do feminismo existem diversos “quadros”, específicos para cada mulher. Pois quando mulheres brancas estavam lutando para terem o direito de voto, as mulheres negras ainda lutavam para serem reconhecidas como cidadãs. Até hoje mulheres transexuais lutam para serem reconhecidas como mulheres. Ou seja, existem muitos subtítulos por trás o grande nome feminismo. Não julgue algo pelo extremo, todo movimento tem seu radical, entenda ele por completo para discutir sobre.

 

Como falei no texto, percebi que muitas pessoas ainda não entendem esse movimento, comentei sobre o básico, então, quero usar um espaço aqui no blog para falar mais sobre isso. O feminismo é muito extenso, sei que muitas pessoas possuem bastante dúvidas e quero tentar ajudar o máximo que posso. Quem tiver alguma dúvida, sugestão ou crítica (CONSTRUTIVA) podem deixar nos comentários, ou me mandar um email: zombiefashionsociety@gmail.com

-G.F

“Resenha”: Comer Rezar Amar

“Resenha” porque vou falar mais a minha opinião sobre o filme inteiro, do que fazer um resenha. Sim, eu só assisti “Comer Rezar Amar” agora… Eu sei que o filme é velho e que o mundo inteiro já viu, que ninguém mais quer saber dele, porém, eu assisti e quis falar dele aqui. Eu não sou uma pessoa que gosta muito do gênero romance, sempre acho que tem muito clichê envolvido, muita história meio pombo, nada que me prenda, esse foi o motivo que eu demorei tanto pra assistir esse filme. Numa tarde tediosa das minhas férias o netflix me ofereceu esse filme e pensei “por que não?”. 6 anos depois da estréia, eu decido fazer uma resenha. Só pra afirmar aqui, qualquer coisa que eu disser não pode ser considerado spoiler, já que tem 6 anos que foi lançado, sou livre 🙂

Julia Roberts é Elizabeth Gillbert, uma mulher que tem tudo o que a sociedade diz sobre vida perfeita: uma carreira, uma casa e um marido. Porém, ela não se vê satisfeita com a vida que leva, sente que falta alguma coisa e decidi pedir o divórcio e viajar buscando se conhecer. Antes de começar sua viagem pelo mundo, ela ainda conhece um ator de teatro que é o deus James Franco, que é alguns anos mais novo e assim não consegue um relacionamento que ela se sinta confortável.

Após terminar o namoro, ela embarca para Itália. Lá ela conhece uma mulher que a apresenta ao tutor, que a ensina italiano. Passa seus dias curtindo cada momento da viagem, conhecendo os lugares mais lindos do país, comendo as melhores comidas, aprendendo a língua e os incríveis gestos italianos. É uma parte incrível do filme, o modo que mostram Roma é lindo demais, onde prova o prazer da gastronomia local,sem falar que me ajudou a decidir se eu queria aprender italiano ou francês hahahah Mas enfim, ela mostra como é uma mulher independente que sabe aproveitar os momentos da vida. Desde o início já tinha planejado ficar um tempo com os italianos e depois ir para Índia.

Julia Roberts as "Elizabeth Gilbert" in Columbia Pictures' EAT, PRAY, LOVE.

O momento da Índia é sensacional! Todo poder espiritual que esse país tem é divino. Elizabeth vai exatamente para isso, decidi passar um tempo rezando e cuidando mais de seu espírito. Ela se entrega totalmente a isso, dedica seu tempo inteiro aos templos, meditando, precisa levar uma vida muito mais simples do que era acostumada, rezando e ajudando no local. É uma parte importante do filme, quando ela estava em Nova Iorque dizia que não estava sentindo nada, Nem paixão, nem entusiasmo, nem fé, nem emoção. absolutamente nada. Esse é um dos piores sentimentos que alguém pode ter, quando simplesmente para de sentir, ocasionalmente, temos dias assim, pelo menos eu, sei o quão horrível é sentir tudo vazio, então, ir à um local para encontrar a si mesmo, encontrar sua fé e reservar um tempo pra isso é essencial.

Durante a dramaturgia são lançadas muitas frases de efeitos bem legais, que nos fazem refletir e eu amo isso. No meio de um diálogo uma frase que me faz pausar e pensar, eu simplesmente amo isso. Como por exemplo: “Para chegar ao castelo, você precisa nadar pelo fosso.”  “Se houve sofrimento é porque você tentou.”  “Olhe o mundo através do seu coração, assim encontrará Deus.” “Aprenda a lidar com a solidão. Aprenda a conhecer a solidão. Acostume-se a ela, pela primeira vez na sua vida.”

O filme estava bem interessante, ela sendo independente, reservando seu tempo para si mesma e ainda ajudando outras pessoas necessitadas, até que ela conhece um homem, que eu odiei tanto que esqueci o nome dele. No começo, foi até legalzinho os dois juntos, ele também passava por alguns problemas, tinha se encontrado nela e todo essas coisinhas. Só que num momento em que ela se sentiu pressionada, ele surtou. Surtou muito! Meteu a grande frase “Você tem que decidir agora, me ama ou não?”… Mano, eles tinham acabado de se conhecer, ela estava curtindo tudo isso, a paz e tranquilidade que tinha encontrado, e o macho querendo que ela largasse tudo para ficar numa ilha com ele (????????)

Ela atravessa o mundo para poder sentir o poder da oração na Índia e o cara querendo que ela largasse tudo por alguém que tinha acabado de conhecer? Na hora, ela foi embora, voltou ao templo, eu fiquei contente, achei que ela ia voltar para Nova Iorque sendo outra pessoa, equilibrada e poderosa, até que ela volta lá pro cara e vai pra ilha… Sentiram meu desgosto por esse final? A mulher passa um ano viajando, aprendendo a se valorizar, a valorizar sua própria companhia e larga tudo por um cara louco, psicopata e controlador.

Filme interessante – Final bem merda.

 

Moda?

 

Com toda a sinceridade do mundo, vocês já se perguntaram o que é a moda? Alguns irão dizer que é apenas as roupas que vocês compram, outros irão dizer que é algo que a sociedade quer te impor no modo de se vestir. Passei por uns meses onde comecei a achar a moda fútil, algo vazio e bilionário, totalmente sem sentido. Até que percebi, moda é arte.

Clichê apenas dizer que é arte, não é? Porém, é exatamente isso. Moda é livre, espontânea, sem gêneros e cheia de cultura. Não estou falando do padrão que a sociedade quer, estou falando da verdadeira moda. Um desfile de alta costura é moda, entretanto, aquela feira da quinta rua, do segundo bairro, também é moda.

Cada lugar tem sua moda, cada tribo tem sua moda, cada pessoa tem sua moda e nenhuma delas é menos importante que a outra. Podemos dizer tanto sobre alguém pelo o estilo em que ela se veste, cada detalhe é sagrado, mesmo que a pessoa não se importe muito.

A moda é livre para ser o que quiser. A moda é maior do que barreiras continentais, maior do que os padrões, maior do que os preconceitos, maior do que tudo. Não há limites. É apenas a criatividade e o gosto de cada um.

Sim, ela pode ser um negócio bilionário, que move nos países de primeiro mundo, todavia, ela também é a camiseta básica e jeans surrado de quem leva uma vida tranquila e simples na Colômbia. Quando criei o blog, nunca quis dizer o que é certo ou errado na moda, só queria compartilhar o meu gosto e o meu próprio estilo para pessoas se identificarem.

Os blogs de moda são assim, não existe um estilo apenas, existem milhares, e eles só estão aqui para os que se identificarem. Se vocês olham algum ícone de moda e não se identifica, não tem nada de errado nisso, têm vários outros que vocês podem se identificarem, ou apenas se identificarem com si mesmos. Como disse, a moda é livre, desenhe a sua, não se sinta preso a nada, a diversidade é a moda.

Colecionadora de Histórias

Eu ando muito sozinha, sempre estou pegando ônibus sozinha, indo pra faculdade, indo ao shopping, esperando, fazendo alguma coisa, enfim, eu passo muitas horas do dia na rua sozinha. Faço isso há alguns anos, e com o tempo adquiri uma mania, que eu acho sensacional. Porém, essa semana ela foi interceptada.

Sempre que estou nos lugares sozinha, eu analiso as pessoas que estão próximas de mim, e simplesmente invento toda uma história para elas. Se já foi casada, se faz faculdade de medicina, se já foi traída, se assistiu o penúltimo episódio de Game Of Thrones, para aonde estão indo, se gostam de ir à praia quando está nublado. Imagino tudo, isso foi um modo de passar o tempo, e passei a adorar isso. Acho isso fantástico, pensar que cada pessoa que passa por você durante o dia tem uma história única, eu gosto de tentar adivinhar um pouco.

Então, eu tinha acabado de sair de uma prova da faculdade, estava bem frio, e escolhi sentar do lado que tinha sol no ônibus. Entrou um garoto, e eu, instantaneamente, comecei a imaginar todo um passado para ele: não tinha tido muitas oportunidades na vida, não era popular na escola, provavelmente, sentava no canto direito na sala de aula, um local para não ser muito visto. Passava despercebido por todos.

Seu pai tinha morrido, quando ele tinha apenas 6 anos, foi criado pela mãe e a avó, tem uma irmã e dois irmãos mais novos. Escutava Projota e Emicida, foi apaixonado pela melhor amiga, até teve sua chance, mas não foi do jeito que imaginava. Ele não era do tipo que gostava de aparecer para muitos, tinha aprendido em casa que ele outras pessoas eram mais importantes que ele, como seus irmãozinhos. Isso não o incomodava, até preferia que não prestassem tanta atenção nele.

No meio de mil pensamentos e descrições, ele tinha sentado ao meu lado, e eu nem tinha percebido. Ainda faltava bastante pra chegar até o meu ponto, abri a bolsa pra pegar um chocolate que devia estar há uma semana já. Quando eu ia voltar à minha história, ou no caso, dele, senti ele me cutucando, como se estivesse me chamando. Até fiquei com medo de estar tendo algum assalto no ônibus, pois eu estava com o celular na mão. Olhei para trás, e não tinha nada.

– Você me chamou? – ele me olhou como se eu fosse a pessoa mais louca do mundo. Então, eu ri, porque é exatamente o que faço quando faço algo vergonhoso, o que acontece frequentemente.

– Não, não chamei não. – ele riu, e colocou o fone de volta.

Em algumas palavras ele estragou metade da minha história. O meu personagem não teria falado com tanta desenvoltura como ele falou. Meu personagem é tímido, e teria apenas dito “não”, sem nem olhar nos meus olhos. Vou ter que inventar uma história nova…

– Esse ônibus passa no Parque das Águas? – me tirou dos meus pensamentos, de novo.

– Ahn, eu solto antes de lá, mas acho que passa sim.

– Você mora aqui pelo Peixoto?

– Sim, eu desço aqui na Avenida.

– Está fazendo frio por aqui também? Porque aonde eu moro está insuportável. – ele riu, e começamos a conversar.

Bom, descobri que ele é dançarino, tem uma irmã mais velha, os pais são separados, mas ele mora com o pai. Sempre foi muito inteligente, porém, sentava no fundão, e tinha muitos amigos, e um namorado. Ele era simpático, divertido e até me prometeu umas aulas de dança. O que eu entendi disso tudo é que eu sou péssima para adivinhar como são as pessoas

Talvez, eu nunca tenha acertado uma única vez. Entretanto, foi fantástico saber da história dele. Em todas as minhas histórias procuro colocar um personagem do meu dia. Normalmente, a pare inventada por mim, agora tenho um próprio desafio: inventar a história e depois descobrir a verossimilhança dela. As histórias me encantam todos os dias. Compartilhe sua história, e colecione histórias.

Oi, qual o seu nome?

Fuja dela. Ela vai ficar até feliz. Ela não quer ninguém pegando no pé dela, ela não liga se você olhar pra bunda da gostosa que passou, mas não venha reclamar se ela olhar pro cara gato que passou por ela, ela vai olhar, e vai pensar “porra, que gato”. Ela não gosta que segurem sua mão, porque em seus pensamentos, e eles estão certos, você só vai segurar a mão dela para mostrar que está com ela, vai querer desfilar como um prêmio. E amigo, ela não quer ser mostrada como se fosse de ninguém, porque o que ela quer é ser livre.

Não diga que ela não pode fazer tal coisa, vai parecer totalmente tentador para ela, não diga que ela não pode ir em tal lugar, porque a partir desse momento, aquele será o lugar mais convidativo. Não diga que ela não pode voar, porque ela vai querer se jogar do prédio. Ela faz o que ela quer, porque já foi muito controlada, muito proibida.

Ela tem vários amigos homens, e isso não quer dizer nada. Ela gosta de ir ao bar beber com as amigas, e olhar as pessoas, apenas imiginar como deve ser a vida de cada um. Porém, ela também gosta de ficar em casa assistindo filmes até tarde, gosta de ir à praia sozinha, e passar o dia lendo um livro sobre os mistérios do universo.

Ela é tão diferente. Mas está cercada por primeiras impressões clichês. Todos acham que ela é tão comum, só mais um rostinho bonito e enjoado. Mal sabem que tem um mundo de possibilidades naquela mente. Mal sabem que ela tem mais problemas que o Obama. Mal sabem que ela tem surtos psicológicos, e escreve tudo como personagens em um livro que ninguém nunca vai ter a chance de ler. Mal sabem que ela só quer que parem de olhar para sua aparência. Mal sabem que ela está de saco cheio do mundo. Mal sabem do futuro dessa garota. Então, fuja, ela realmente não está interessada, e isso não é nada da sua cabeça, é só a realidade.

Ela não sabe o que está procurando, ou querendo, no momento. Ela está sempre perdida. Alguns dias odeia não saber o que fazer, em outros, isso é o que te dá mais vontade de viver. Provavelmente, ela vai tentar ao máximo se afastar de você, muito intimidade não lhe agrada. Insistir ou desistir? Essa é a pergunta que vai te perseguir desde o momento em que você disse “Oi, qual seu nome?”.

-G.F